Boom de consumo provoca aumento de lixo eletrônico

O recente boom do consumo de televisores de tela plana, celulares e computadores estão levando a um problema ambiental ainda sem solução - o lixo eletrônico decorrente da rápida obsolescência dos equipamentos e do alto custo das peças de reposição.

Hoje 20% dos equipamentos vendidos no País que apresentam algum defeito caem num impasse: o conserto demora muito ou fica caro demais, incentivando o consumidor a adquirir um novo produto. O resultado são cerca de 2 milhões de equipamentos parados nas oficinas, esperando destinação correta

Os números constam de uma estimativa realizada pela Abrasa, entidade que representa as empresas de assistência técnica autorizada de eletroeletrônicos no Brasil. A entidade estima que o problema tende a aumentar. "Até 2015, um terço dos equipamentos vendidos no País serão sucateados. Será inviável consertá-los por uma questão de custo", afirma Norberto Mensório, presidente da Abrasa.
 
Monitores de computador e telas de TVs de plasma, LED ou LCD estão entre os itens cujo conserto é mais dispendioso - varia de R$ 800 a até R$ 5 mil.

Além da atualização tecnológica da indústria, que estimula a substituição dos equipamentos, Mensório aponta que o reparo dos equipamentos esbarra em uma questão tributária, que encarece o preço final das peças de reposição. Os produtos fabricados na Zona Franca de Manaus recebem isenção de impostos como IPI, ICMS e Imposto de Importação, mas as peças de reposição são tributadas integralmente. "O aparelho desmontado custa de quatro a oito vezes o valor do produto montado. É uma falha na legislação que traz como consequência o agravamento do problema do lixo eletrônico".  

Dono de uma empresa de assistência técnica na zona leste de São Paulo, Mensório convive de perto com o abandono dos equipamentos cujo conserto se tornou inviável. Ele precisou alugar uma sala extra para comportar os equipamentos deixados lá pelos clientes. Na oficina, as TVs de tubo ainda representam metade dos consertos, mas as de tela plana começam a avançar.

Para enviar os equipamentos à reciclagem, Mensório e os donos das mais de 20 mil oficinas de assistência técnica em todo o País esbarram em outra questão: o direito de propriedade sobre os produtos. "É preciso autorização dos donos para nos desfazermos dos itens", diz. Ele espera que a lei nacional de resíduos sólidos, sancionada na semana passada, ajude a desburocratizar a destinação dos equipamentos ao fim de sua vida útil.

Obsolescência - O psicólogo Eber Fernandes de Matos, de Ribeirão Preto (SP), já tentou consertar televisão, home theater e uma impressora. Em todos os casos, o valor do conserto ficava entre 60% e 80% do preço de um produto novo e a espera seria de semanas. "O problema é a curta durabilidade dos produtos e, entre pagar caro para ter o mesmo e pagar para ter um novo, fico com a segunda opção", diz Matos. Ele avalia que o impacto ambiental da rápida substituição dos produtos deveria ser encarado pela indústria. "Ou o descartável vira biodegradável ou reaproveitável, ou investe-se num produto de maior longevidade, em que se possa fazer atualizações."

A chamada obsolescência programada, que é a estratégia utilizada pela indústria para garantir o consumo constante - os produtos deixam de funcionar após um período de tempo, tendo que ser substituídos por mais modernos - está na raiz do problema. "A grande questão é que a indústria gera toda a sua receita a partir da venda de novos produtos e vê a assistência técnica como um custo", diz Hélio Mattar, presidente do Instituto Akatu, que incentiva o consumo consciente.

No longo prazo, no entanto, Mattar acredita que a tendência vai mudar. "O custo das matérias-primas deverá subir, por causa da escassez de recursos naturais que se já começa a enfrentar. A indústria terá de se adaptar".

 

https://www.comerciodojahu.com.br/novo/Nacional%20/BOOM+DE+CONSUMO+PROVOCA+AUMENTO+DE+LIXO+ELETRONICO.html

 

10/08/2010 20:19 - NG/GR/AMBIENTE/ELETRÔNICOS

Boom de consumo provoca aumento de lixo eletrônico

Por Andrea Vialli

São Paulo, 10 (AE) - O recente boom do consumo de televisores de tela plana, celulares e computadores está levando a um problema ambiental ainda sem solução - o lixo eletrônico decorrente da rápida obsolescência dos equipamentos e do alto custo das peças de reposição.

Hoje 20% dos equipamentos vendidos no País que apresentam algum defeito caem num impasse: o conserto demora muito ou fica caro demais, incentivando o consumidor a adquirir um novo produto. O resultado são cerca de 2 milhões de equipamentos parados nas oficinas, esperando destinação correta

Os números constam de uma estimativa realizada pela Abrasa, entidade que representa as empresas de assistência técnica autorizada de eletroeletrônicos no Brasil. A entidade estima que o problema tende a aumentar. "Até 2015, um terço dos equipamentos vendidos no País serão sucateados. Será inviável consertá-los por uma questão de custo", afirma Norberto Mensório, presidente da Abrasa.

Monitores de computador e telas de TVs de plasma, LED ou LCD estão entre os itens cujo conserto é mais dispendioso - varia de R$ 800 a até R$ 5 mil.

Além da atualização tecnológica da indústria, que estimula a substituição dos equipamentos, Mensório aponta que o reparo dos equipamentos esbarra em uma questão tributária, que encarece o preço final das peças de reposição. Os produtos fabricados na Zona Franca de Manaus recebem isenção de impostos como IPI, ICMS e Imposto de Importação, mas as peças de reposição são tributadas integralmente. "O aparelho desmontado custa de quatro a oito vezes o valor do produto montado. É uma falha na legislação que traz como consequência o agravamento do problema do lixo eletrônico."

Dono de uma empresa de assistência técnica na zona leste de São Paulo, Mensório convive de perto com o abandono dos equipamentos cujo conserto se tornou inviável. Ele precisou alugar uma sala extra para comportar os equipamentos deixados lá pelos clientes. Na oficina, as TVs de tubo ainda representam metade dos consertos, mas as de tela plana começam a avançar.

Para enviar os equipamentos à reciclagem, Mensório e os donos das mais de 20 mil oficinas de assistência técnica em todo o País esbarram em outra questão: o direito de propriedade sobre os produtos. "É preciso autorização dos donos para nos desfazermos dos itens", diz. Ele espera que a lei nacional de resíduos sólidos, sancionada na semana passada, ajude a desburocratizar a destinação dos equipamentos ao fim de sua vida útil.

Obsolescência - O psicólogo Eber Fernandes de Matos, de Ribeirão Preto (SP), já tentou consertar televisão, home theater e uma impressora. Em todos os casos, o valor do conserto ficava entre 60% e 80% do preço de um produto novo e a espera seria de semanas. "O problema é a curta durabilidade dos produtos e, entre pagar caro para ter o mesmo e pagar para ter um novo, fico com a segunda opção", diz Matos. Ele avalia que o impacto ambiental da rápida substituição dos produtos deveria ser encarado pela indústria. "Ou o descartável vira biodegradável ou reaproveitável, ou investe-se num produto de maior longevidade, em que se possa fazer atualizações."

A chamada obsolescência programada, que é a estratégia utilizada pela indústria para garantir o consumo constante - os produtos deixam de funcionar após um período de tempo, tendo que ser substituídos por mais modernos - está na raiz do problema. "A grande questão é que a indústria gera toda a sua receita a partir da venda de novos produtos e vê a assistência técnica como um custo", diz Hélio Mattar, presidente do Instituto Akatu, que incentiva o consumo consciente.

No longo prazo, no entanto, Mattar acredita que a tendência vai mudar. "O custo das matérias-primas deverá subir, por causa da escassez de recursos naturais que se já começa a enfrentar. A indústria terá de se adaptar."